Resumo
INTRODUÇÃO: O Brasil apresenta uma taxa de 1 milhão de queimaduras anualmente, a maioria ocorre em casa, afetando principalmente crianças. Além disso, o isolamento social durante a pandemia de covid-19 contribuiu para que as crianças permanecessem em casa, fator que poderia aumentar a incidência de queimaduras.
OBJETIVO: Comparar o perfil epidemiológico dos pacientes pediátricos queimados durante o isolamento e após a liberação das medidas sanitárias, avaliando assim o impacto do isolamento na população.
MÉTODO: Estudo observacional transversal retrospectivo, que analisou 410 prontuários eletrônicos (março/2020 e dezembro/2022) dos pacientes pediátricos atendidos no Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM). As variáveis analisadas qualitativamente incluíram idade, sexo, etiologia da queimadura, local do acidente, profundidade da queimadura, gravidade da lesão, tipo de tratamento, tempo de internação e prognóstico. Dez prontuários de janeiro e fevereiro de 2020 foram excluídos e a amostra restante foi dividida em dois grupos: 252 atendidos durante o isolamento social e 148 após o relaxamento das medidas sanitárias.
RESULTADOS: Dos 410 pacientes, 133 foram atendidos em 2020, 129 em 2021 e 148 em 2022. Não houve diferença significativa na incidência anual durante ou após a pandemia. Não houve diferença significativa no perfil epidemiológico dos pacientes, tipo de tratamento ou prognóstico, apenas no grau e gravidade das queimaduras.
CONCLUSÕES: A pandemia não afetou no número de casos de queimaduras pediátricas no serviço, apenas na gravidade e profundidade das lesões. Entretanto, isso não impactou no tratamento ou prognóstico dos pacientes.
Palavras-chave: Queimaduras. Pediatria. COVID-19. Epidemiologia.